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Advogado pode anunciar no Google? O que a OAB permite e o que funciona

A OAB permite anúncio pago de advogado, desde que a publicidade seja informativa, sóbria e sem captação. Veja o que pode, o que não pode e o que traz cliente.

Publicado em 12 de outubro de 20267 min de leituraEquipe Transborda
Resposta rápida

Pode. O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB admite o marketing jurídico e o anúncio pago, inclusive no Google, desde que a publicidade seja informativa, sóbria e discreta, sem promessa de resultado e sem captação indevida de clientela. Na prática, funciona o anúncio que responde à dúvida de quem está pesquisando, leva para uma página com conteúdo de verdade e é seguido de um atendimento rápido e bem registrado. Em caso de dúvida, vale consultar o texto do Provimento e o Tribunal de Ética da seccional.

Pode, com regras: o que diz o Provimento 205/2021

Durante muito tempo, a resposta mais ouvida nos escritórios foi “advogado não pode fazer propaganda”. Essa ideia ficou para trás. Em 2021, o Conselho Federal da OAB publicou o Provimento 205, que trata da publicidade e da informação da advocacia e passou a admitir expressamente o marketing jurídico, incluindo o uso de anúncios pagos.

A permissão vem com condições. A publicidade do advogado precisa ter caráter informativo, ser sóbria e discreta e não pode servir para a captação indevida de clientela nem para a mercantilização da profissão. Continuam valendo o Estatuto da Advocacia e o Código de Ética e Disciplina.

Este artigo é um resumo prático, escrito por quem opera campanhas, e não substitui a leitura da norma. Antes de publicar qualquer anúncio, leia o Provimento 205/2021 e o seu anexo. Na dúvida sobre um caso concreto, consulte o Tribunal de Ética e Disciplina da sua seccional.

O que pode e o que continua vedado

De forma resumida, e sempre sujeito à leitura da norma, o quadro é este:

  • Costuma ser admitido: anúncio com conteúdo informativo sobre um tema jurídico, identificação do advogado ou do escritório com o número de inscrição na OAB, áreas de atuação, endereço e meios de contato, e impulsionamento de conteúdo educativo.
  • Continua vedado: prometer resultado, garantir êxito, comparar-se com outros advogados, usar expressões de autoelogio, adotar tom apelativo ou sensacionalista e oferecer o serviço como se fosse um produto em promoção.
  • Pede atenção redobrada: menção a valores, gratuidade ou desconto; divulgação de casos concretos e de clientes; e abordagem direta de pessoas que não procuraram o escritório.

Um bom teste antes de publicar: o anúncio está explicando algo que ajuda a pessoa a entender o próprio problema, ou está tentando convencê-la a contratar agora? No primeiro caso, o caminho tende a estar certo. No segundo, o risco de enquadramento como captação é real.

A regra não proíbe o advogado de ser encontrado. Ela proíbe o advogado de se vender como mercadoria.

Por que a busca do Google combina com a advocacia

Quem tem um problema jurídico quase sempre começa pesquisando. A pessoa foi demitida e quer saber quais são os direitos. A empresa recebeu uma notificação e quer entender o prazo. A família precisa abrir um inventário e não sabe por onde começar.

Nesse momento, ela não foi abordada por ninguém. Ela mesma foi atrás da informação. O anúncio na busca aparece como resposta a essa procura, e esse é o motivo de o canal conversar bem com a ideia de publicidade informativa.

Alguns cuidados na montagem da campanha:

  • Palavras-chave de dúvida e de área: termos que descrevem o problema ou a especialidade, na cidade ou região atendida.
  • Texto do anúncio sem promessa: título que descreve o tema e a área de atuação, sem “garantido”, “o melhor” ou “causa ganha”.
  • Uma área por grupo de anúncios: quem pesquisou sobre direito de família não deve cair em um texto sobre direito tributário.
  • Termos que ficam de fora: buscas de estudante, de concurso e de modelo de petição consomem verba e não trazem cliente.

A estrutura da busca paga, da palavra-chave ao registro do resultado, está na página de Google Ads.

Para onde o anúncio leva: página com conteúdo de verdade

O clique precisa chegar em um lugar coerente com a regra e com a expectativa de quem pesquisou. Uma página que só diz “fale com um advogado agora” não informa ninguém e ainda passa uma imagem ruim.

O que costuma funcionar é uma página que:

  1. Explica o tema em linguagem simples: o que é, quem tem direito, quais documentos costumam ser necessários, quais são os prazos.
  2. Apresenta o escritório com sobriedade: nome, inscrição na OAB, áreas de atuação, cidade.
  3. Oferece um meio de contato claro, por formulário ou WhatsApp, para quem quiser conversar sobre o próprio caso.

Esse formato cumpre a função informativa e, ao mesmo tempo, filtra o contato: quem leu a explicação chega à conversa sabendo se o caso dele se encaixa. A construção desse tipo de página está em landing pages, e a escolha entre mandar o clique para a página ou direto para a conversa está em Landing page ou WhatsApp nos anúncios?

Depois do clique: atendimento rápido e registrado

É aqui que a maior parte dos escritórios perde o cliente que o anúncio trouxe. A pessoa escreve às nove da noite, depois do trabalho, e só recebe resposta na tarde seguinte. Nesse intervalo ela escreveu para outros dois escritórios.

Responder rápido.
A primeira resposta confirma o recebimento e diz quando alguém vai conversar com a pessoa.
Fazer a triagem.
Perguntas simples identificam a área, a cidade e a urgência. Isso evita que o advogado gaste tempo com casos fora da atuação do escritório.
Marcar a consulta.
Oferecer dia e horário, em vez de deixar a conversa aberta.

Essa primeira triagem pode ser feita por inteligência artificial no WhatsApp, com um cuidado próprio da advocacia: a IA recebe, organiza as informações e agenda. Ela não dá orientação jurídica nem opina sobre o caso. Isso é trabalho do advogado.

Todo contato deve entrar no CRM, com a origem registrada e a etapa em que está: primeiro contato, triagem feita, consulta marcada, proposta de honorários, contrato. Quem ficou de pensar tem uma data de retorno marcada, sem insistência.

O que medir

Com o registro em dia, o escritório passa a enxergar quatro números por campanha e por área de atuação:

  1. Contatos recebidos.
  2. Contatos dentro da área de atuação, depois da triagem.
  3. Consultas realizadas.
  4. Contratos fechados.

Muito contato e pouca consulta aponta para as palavras-chave, que estão atraindo o público errado, ou para a demora no atendimento. Muita consulta e pouco contrato aponta para a etapa da proposta. A comparação que interessa é o custo por contrato, e não o custo por mensagem. O passo a passo dessa ligação está em Como saber qual anúncio gerou uma venda?

Por onde começar

  1. Leia o Provimento 205/2021 e o anexo, e defina com os sócios o que o escritório vai e não vai comunicar.
  2. Escolha uma área de atuação para começar, de preferência a que o escritório atende melhor.
  3. Escreva uma página informativa sobre o tema principal dessa área.
  4. Monte a campanha de busca com texto sóbrio e palavras ligadas ao problema, na região atendida.
  5. Organize a primeira resposta, a triagem e o agendamento da consulta.
  6. Registre cada contato e avalie a campanha por consulta e por contrato.

Se quiser um ponto de partida mais rápido, o Diagnóstico Comercial da Transborda é gratuito: são 10 perguntas que avaliam aquisição, captura, atendimento, CRM, follow-up e conversão, e mostram em qual etapa o escritório está perdendo mais vendas.

FAQ

Perguntas frequentes

Advogado pode fazer anúncio pago no Google?

Pode. O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB admite a publicidade paga, desde que ela seja informativa, sóbria e não configure captação indevida de clientela. O conteúdo do anúncio e das palavras escolhidas precisa respeitar o Código de Ética e Disciplina.

O que um anúncio de advogado não pode ter?

Promessa de resultado, comparação com outros advogados, autoelogio, tom apelativo e oferta de serviço em tom de promoção. A regra geral é: o anúncio informa sobre o tema e sobre a área de atuação, sem tentar convencer a pessoa a contratar por impulso.

Posso divulgar o valor da consulta ou oferecer consulta gratuita no anúncio?

Esse é um ponto sensível. As regras da OAB restringem o uso de preço, gratuidade e desconto como forma de atrair cliente. Antes de colocar qualquer menção a valor em um anúncio, consulte o texto do Provimento 205/2021 e, se a dúvida continuar, o Tribunal de Ética da sua seccional.

É melhor anunciar no Google ou no Instagram?

Para a maioria dos escritórios, a busca do Google é o ponto de partida, porque alcança quem já está procurando informação sobre um problema jurídico. O Instagram funciona melhor para conteúdo educativo e para construir autoridade ao longo do tempo. Nos dois, valem as mesmas regras de sobriedade.

Como saber se o anúncio está trazendo cliente de verdade?

Cada contato precisa entrar no CRM com a campanha e a palavra de origem e ser acompanhado até a consulta e o contrato. Assim a avaliação é feita por contrato fechado, e não por quantidade de mensagens recebidas.

Quer descobrir onde seu escritório está perdendo consultas?

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