O limite de depender só de indicação
A maioria dos consultores começa pela indicação, e ela continua sendo o cliente mais fácil de fechar. O problema é que indicação não tem botão de ligar. Em um mês chegam três contatos, no seguinte nenhum, e a agenda oscila sem que o consultor consiga interferir.
Gerar reuniões pela internet não substitui a indicação. Acrescenta uma fonte que pode ser planejada. Para isso, o consultor precisa aceitar uma diferença: quem chega por anúncio ainda não confia nele. A confiança que a indicação entrega pronta precisa ser construída pela página, pela primeira conversa e pelo acompanhamento.
O objetivo do anúncio de consultoria não é vender o projeto. É marcar uma reunião com a empresa certa. Todo o resto do caminho depende dessa reunião acontecer com quem tem perfil.
Google: a empresa que já está procurando
Quando alguém digita “consultoria financeira para pequenas empresas” ou “consultor de processos industriais”, o problema já foi reconhecido e existe disposição de contratar. É o contato de intenção mais clara que um consultor pode receber.
O que faz a busca funcionar para consultoria:
- Palavras do problema, e não só do serviço: muita gente procura pelo que está sentindo, como “como reduzir custos da empresa” ou “empresa cresce e não dá lucro”, antes de procurar por “consultoria”.
- Separar empresa de estudante: termos como “curso”, “o que é”, “salário” e “vaga” trazem quem quer aprender ou trabalhar na área. Devem ficar de fora.
- Uma página por especialidade: quem buscou consultoria tributária quer chegar em uma página que fale disso, não em uma apresentação geral do escritório.
- Região, quando importa: se o trabalho é presencial, o anúncio deve aparecer só onde o consultor atende.
O volume de buscas por consultoria especializada é pequeno, e isso é normal. Poucos contatos com intenção alta valem mais do que muitos sem perfil. A estrutura de campanha está em Google Ads.
LinkedIn: chegar em quem decide antes de ele procurar
O LinkedIn resolve o que a busca não resolve: falar com o diretor ou o sócio de um setor específico que ainda não está procurando ajuda. São três frentes, que se reforçam.
O título e o resumo precisam dizer para quem é o trabalho e qual problema ele resolve. Quem recebe um contato seu vai olhar o perfil antes de responder.
Publicações curtas mostrando como o problema aparece e o que costuma ser feito errado. É o conteúdo que constrói a confiança que a indicação entregaria pronta.
O primeiro contato deve ser sobre a pessoa ou o setor dela, não sobre a sua oferta. A conversa sobre o serviço vem depois, quando houver interesse.
Os anúncios do LinkedIn permitem direcionar por cargo, setor e tamanho de empresa. O clique costuma custar mais do que em outras redes, então a oferta precisa valer esse custo: um material de diagnóstico, uma análise específica, um convite para uma conversa com tema definido.
No LinkedIn, quem tenta vender na primeira mensagem perde a segunda.
A oferta da primeira conversa e o formulário que qualifica
“Fale com um consultor” é um convite fraco. A empresa não sabe o que vai acontecer na conversa nem o que ganha com ela. Uma oferta com escopo funciona melhor: uma análise de 30 minutos sobre um ponto específico, com uma entrega clara no final.
Essa oferta fica em uma página própria, com um formulário que faz o papel de filtro. Perguntas que costumam mudar a decisão de marcar ou não a reunião:
- Nome da empresa, setor e cidade.
- Porte: número de funcionários ou faixa de faturamento.
- Cargo de quem está preenchendo.
- Qual é o principal problema hoje, em uma frase.
- Para quando a empresa pretende resolver.
Formulário mais longo reduz a quantidade de contatos e aumenta a qualidade. Para quem vende horas de trabalho, isso é vantagem: cada reunião sem perfil custa uma hora de agenda. A construção da página está em landing pages, e o raciocínio sobre quantidade e qualidade em CPL baixo não significa campanha boa.
Do formulário à reunião que acontece
Entre o formulário preenchido e a reunião realizada, três coisas costumam dar errado: a resposta demora, o horário não é fixado e ninguém confirma.
- Responder no mesmo dia. Quem pediu uma conversa provavelmente pediu para mais de um consultor.
- Oferecer horários, e não perguntar “quando você pode?”. Duas ou três opções ou um link de agenda encurtam a troca de mensagens.
- Confirmar na véspera. Um lembrete curto, com o tema da conversa, reduz a falta.
- Chegar preparado. As respostas do formulário já dizem o porte e o problema. A reunião começa de onde o formulário parou.
Confirmação e lembrete não precisam ser digitados à mão. Com automação de vendas, as mensagens saem a partir da data marcada, e o consultor só entra quando alguém pede para remarcar.
Depois da reunião: o CRM sustenta o ciclo
Contratação de consultoria raramente é decidida na primeira conversa. A empresa pede proposta, leva para o sócio, compara, espera o fechamento do trimestre. Entre a reunião e o contrato podem passar semanas ou meses.
Sem registro, esse acompanhamento depende da memória. O consultor envia a proposta, se envolve com os projetos em andamento e esquece de retomar. No CRM, cada oportunidade fica em uma etapa, com valor estimado, data do último contato e a próxima ação marcada. Quem está parado aparece na tela.
O CRM também responde à pergunta que define onde investir: de onde vieram os contratos. Como cada oportunidade entra marcada com a origem, dá para comparar Google, LinkedIn e indicação por reunião feita, proposta enviada e contrato fechado. A relação entre quem gera o contato e quem conduz a venda está em Como conectar marketing e comercial.
Por onde começar
- Defina para qual tipo de empresa e para qual problema é o seu trabalho.
- Monte uma página com uma oferta de primeira conversa que tenha escopo e duração.
- Inclua um formulário de qualificação com porte, cargo, problema e prazo.
- Comece pela busca, com as palavras do problema e do serviço.
- Ajuste o perfil do LinkedIn e publique sobre o problema do cliente com regularidade.
- Registre toda reunião e toda proposta no CRM, com a origem.
Se quiser um ponto de partida mais rápido, o Diagnóstico Comercial da Transborda é gratuito: são 10 perguntas que avaliam aquisição, captura, atendimento, CRM, follow-up e conversão, e mostram em qual etapa a consultoria está perdendo mais vendas.